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23/09/2015 16h19 - por Kakoi Comunicação

"Pessoas inflexíveis e sem empatia dificilmente chegarão a posições de liderança"

Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Arnaldo Tibyriçá começou sua carreira em escritórios de advocacia. Porém, logo percebeu que tinha afinidade com o mundo dos negócios e se abriu para novas possibilidades. "Eu descobri que o Direito não é um fim em si mesmo, mas, sim, uma ferramenta disponível para diversos setores da sociedade”, diz. Desde então, vem acumulando vasta experiência corporativa em grandes empresas: passou pelos departamentos jurídicos do Grupo Itaú Unibanco, da antiga BCP Telecomunicações (hoje, a Claro) e da C&A, até ingressar no Grupo Abril em 2003, onde hoje é vice-presidente jurídico corporativo e faz parte do conselho.

Em bate-papo, ele conta por que tomou a decisão de sair do escritório para se aventurar em grandes empresas e o que aprendeu com a experiência. “Se no escritório de advocacia você é o ator principal - por fazer parte do 'core business' da organização -, numa empresa de outro setor você vai ser um ator coadjuvante. A estrela do show é o cara que criou um projeto novo - no caso da Abril, os próprios jornalistas. Seu papel como advogado é participar da atividade empresarial, procurando orientar a cada área da empresa sobre como realizar seus negócios dentro do Direito. E você vai acabar vendo sua parte no produto final”, conta Arnaldo.

No Itaú, ele se envolveu na missão de buscar uma linha de negócios juridicamente sustentável para o banco. Na C&A, participou da construção da marca na Argentina, cuidando da integralização societária, mobiliária, consumo industrial, importação e exportação. Sobre o dia a dia do trabalho em grandes empresas, ele explica que grande parte das questões jurídicas são relacionadas ao consumidor, mas que o advogado não deixa de ter uma quantidade razoável de transações e projetos. “É muito importante para um profissional de Direito dentro de uma empresa saber administrar soluções para os problemas, por exemplo trabalhistas, com eficiência de gestão e custo."

No Grupo Abril, está entre as tarefas de sua equipe ajudar os jornalistas a entender todas as questões jurídicas relacionadas à profissão e dar uma espécie de consultoria interna caso haja alguma dúvida. No entanto, Arnaldo chama atenção para o fato de que o jurídico jamais interfere no editorial. "A relação do jurídico com a área de publicidade é muito diferente da sua relação com a área editorial. O advogado não lê matérias antes que elas sejam publicadas. O que fazemos é treinar os jornalistas para que eles saibam identificar potenciais riscos. A iniciativa de procurar os advogados vem deles. A decisão final de publicar ou não tem que ser do editor, não do advogado”, assegura.

Além disso, é necessário lidar com os outros assuntos jurídicos relacionados a empresa, não só as discussões de injúria, calúnia ou difamação, mas também tópicos de direito trabalhista, tributários, do consumidor e de imprensa. Para tanto, o departamento jurídico precisa funcionar de forma integrada à empresa e se relacionar bem com outras áreas. "Eu reconheço o mérito de se saber usar uma linguagem elaborada, mas essa não é a linguagem do contador, do financeiro, do marqueteiro, do engenheiro… Se você de fato quer que seu trabalho seja compreendido e que você seja visto como um aliado nos negócios, a primeira coisa é se lembrar de como você se comunicava antes da faculdade de Direito. Você vai precisar da linguagem jurídica em certos momentos, mas não em grande parte do no dia a dia."

Aos jovens que estão iniciando sua trajetória profissional na área de Direito, Arnaldo dá dicas de como se destacar na carreira. "Pessoas que são muito rígidas em 'soft skills' - ou seja, são inflexíveis, não conseguem entender e se colocar no lugar do outro, não são capazes de dar um passo para trás para depois dar dois para frente -, por mais competentes tecnicamente que elas sejam, não chegarão a posições de liderança. Aqueles que desenvolvem essas facetas, conseguem criar confiança e empatia em suas relações pessoais, o que é essencial em qualquer ambiente de trabalho”, diz.

Fonte: Administradores.com

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